Faz umas semanas que eu não consigo dormir mais de duas horas por dia, por mais que eu esteja a ponto de desmaiar de sono. E quando eu consigo pregar o olho, eu só tenho sonho ruim. Sério, esses dias o que começou como um potencial sonho erótico com a Angelina Jolie se tornou em um pesadelo, com direito a sangue, decapitação, pilha de cabeças, corpos se movendo sem cabeça, ciborgues e… enchentes do Rio de Janeiro.

Culpo o sedentarismo mórbido e má alimentação.

Enfim, cansada disso tudo (literalmente), peço pra minha mãe uma pílula pra dormir. Detalhe: eu não conheço o nome, a forma, a cor, o cheiro e o som (oi?) de uma pílula pra dormir.

No primeiro dia eu tava tão estupidamente podre, que eu tinha certeza que eu ia pregar o olho e tomei só pra prevenir, afinal, tinha prova no dia seguinte (que eu faltei HEHE) e eu queria estar bem descansada. Dormi, pesadelo, acordei de madrugada, dormi de novo, acordei em tempo pra aula e mandei tudo pra puta que pariu. Dormi até o meio dia.

No segundo dia meu pai veio com uns papos estranhos, dizendo que estava feliz que eu tava tomando o remédio, que era isso que eu tinha que fazer e talz. Estranhei, liguei MODE APATIA ON e continuei com a minha vida. Antes de dormir minha mãe me trouxe a pílula de novo e eu, neurótica que sou, já tava com medo de me viciar. O desejo pelo sono foi mais forte. Fiquei rolando na cama até as 5:30 da manhã pra acordar as 6:30.

Hoje, o terceiro dia, minha mãe vem com o remédio de novo. Ela diz pra eu tomar, eu digo que não to com sono. Ela surta, eu descubro que aquilo é na verdade remédio pra “perder o medo”.

Vamos por partes: minha mãe me dá um remédio que eu não sei o nome, não sei o que faz (perder o medo meu cu-sem-acento), não sei (e acredito que nem ela saiba) se tem efeito colateral. Ela não é médica, ela A-M-A se automedicar e medicar os outros, ela tem uma amiga psiquiátrica que não me diagnosticou mas mesmo assim disse pra ela me dar aquilo (ainda não sabemos se o que eu tenho é Síndrome do Pânico, obrigada) (e minha mãe disse que foi a amiga dela que prescreveu o remédio, nem isso eu tenho certeza). A única coisa que eu realmente sei é que esse remédio é um daqueles que minha mãe tá viciada e não consegue parar.

Mamãe, eu agradeço a boa intenção, mas quero que você respeite a minha vontade. Eu acredito que precisamos aprender a lidar com nossos sentimentos – medo incluso – e se esse combo de “ataque de pânico” + “pesadelos” ocorre é porque tem algo de errado. Mascarar o problema com pílulas entorpecentes-cure-o-seu-medo-por-apenas-50-reais-POLISHOP pode até fazer com que eu me sinta bem, ou melhor, não sinta nada, mas não vai resolver coisa alguma. A raíz do problema ainda vai estar lá, apenas adormecida graças a alguns miligramas diários.

Terceiro dia, tentativa 2: uma pílula no armário (ia jogar pela janela, mas a persiana faz muito barulho e eu tava meio paranóica com essa conspiração te-darei-a-pílula-errada-MWAHAHAHA), um copo de água tomado e a ameaça de que eu não posso parar agora, pois é perigoso interromper. Pois é, talvez no final das contas ela saiba os efeitos colaterais e talvez eu esteja prestes a descobrir.

Possivelmente adeus, mundo cruel (a não ser que a ameaça seja tudo bullshit. daí até o próximo dia que eu me sentir emo)